Saúdo os Ingleses. Antes de mais nada, deixem-me esclarecer que isto não se trata de um cumprimento à sua estratégia política, uma reverência ao modo apático como conduzem as suas vidas sociais ou um agradecimento por oferecerem tanto dinheirinho a meia dúzia de “portugas” que por lá passam… ok, talvez não sejam assim tantos, mas isso não é importante para já. Saúdo os Ingleses, sim, porque souberam unir uma nação.
Devo confessar que, também eu, sou um especialista em “Maddiologia”: para além da licenciatura de horas de telejornal a ouvir debater e remoer o caso, realizei uma pós graduação consistente em dois episódios de South Park sobre rapto de crianças. Durante o meu estudo, constatei um facto que me chocou tremendamente, em parte porque durante cerca de dois minutos após o surgimento da ideia fiquei sem saber ao certo que país era aquele em que eu tinha assentes os pés.
O facto é o seguinte: desde que me lembro de perceber português que oiço o povo (a palavra nem sequer tem sentido pejorativo, por isso escusam de dizer que a uso com má índole!) a dizer que os políticos lhes tiram tudo, os políticos a dizer que as empresas não sabem trabalhar, as empresas a dizer que o povo não compra e que os políticos cobram demais, o povo, por sua vez a dizer que os políticos não lhes dão dinheiro com o qual comprar os produtos das empresas e os políticos a dizer que não têm dinheiro para dar ao povo porque as empresas não pagam a sua quota. Ainda estão comigo? Muito bem.
Eis então que entra o factor “McCann” em cena. E, durante um intervalo de tempo relativamente curto, a balança aparentemente equilibrada vai ao ar. Literalmente. Toda a gente, deixem-me frisar, TODA a gente, políticos, empresas, povo, e até o periquito da minha vizinha de cima: todos falavam DO MESMO, exactamente DO MESMO ASSUNTO, e aparentemente, com uma opinião EM COMUM, nem que fosse a opinião de que quem quer que tivesse feito aquilo devia ser castigado. Para quem já viu os debates na assembleia da República sabe como é difícil aos políticos falar de um mesmo assunto, para quanto mais os políticos e o resto do Estado.
Por isso os Ingleses recebem o meu elogio. Espero que turistas britânicos continuem a afluir às praias portuguesas para que, com o seu bom senso e perseverança, continuem a manter unido um povo que ao longo dos anos se tem desagregado. Vocês são o cimento na nossa parede, a super-cola no nosso prato partido, a gordura no nosso fogão, o colagénio no nosso tecido conjuntivo. Penso que, para mostrar o agradecimento de uma nação, poderíamos criar um curso de Inglês (não técnico) para repórteres e apresentadores de televisão. O José Figueiras, se quiser aprender Francês, que pague do próprio bolso.
“Tánk iú béri mace”. Boa noite.
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